sábado, 23 de novembro de 2013

Academia da Luz


Academia da Luz


Pois, muito se engana o pobre mortal
por ter um lado sobrevivência-racional
pensa ele que isto lhe serve de sinal
para racionalizar até o que é essencial

A mente é prática e cuida do real
protege e calcula a vida normal
ela não tem o poder transcendental
de entender o decreto do divinal

Cada ser humano é altamente especial
nele a eterna luta do que é dual
é, no livre-arbítrio, a principal
experiência de cunho sobrenatural

Pouco se sabe, humano fractal
da sabedoria ampla e universal
que legou a ti a paixão carnal
impulso de vilania e todo o mal

o mesmo impulsionador total
do puro amor incondicional
basta dar ao tempo magistral
o seu sábio veredicto final

e verás do poder celestial
em larga experiência terrenal
a solução do aparente caos atual
sem vencidos ou vencedores, afinal

apenas Luzes do Bem numa formatura universal

Anorkinda

.

Pássaro do amor


Pássaro do amor

Pássaro de desejos simples
que busca teu alimento
com a sabedoria inata
de quem tem o sol como guia

Tua vida livre é bálsamo
que o Criador preparou
para curar com teu voo
nossas prisões interiores

Pássaro das cores vivas
que iluminam as retinas
para que todos esqueçamos
a escuridão que já passou

Teu canto é um bordado
que a natureza tramou
para embelezar o amor
D'Ele por seus filhos

Anorkinda


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Portais


"a verdade virá das pedras mortas, e o homem compreenderá todas as portas que ele ainda tem de abrir para o Infinito" (Augusto dos Anjos)


Portais


A abrir os portais da luminosidade,
verdade é que muita felicidade
virá lhe bater à porta, fugindo
das escuridões silenciosas...
pedras testemunhas em horas
mortas para a revelação.

E de repente apagar-se-á
o apego ao velho sistema.
homem sem poder nem vez,
compreenderá seu destino.
todas as horas gritarão
as verdades de Ser.
portas abertas à própria luz
que, imensa, lateja...

Ele relembra a que veio
ainda precisa de tempo sob o sol,
tem a chave em si mesmo...
de par em par, ele vai
abrir as janelas da alma
para sentir o vento estelar,
o sopro da vida universal...
Infinito é o período que lhe resta!

Anorkinda

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O Amor


O Amor

Ilumina tudo à volta
como a pureza
de um cristal

Purifica tudo que toca
como a bênção
de uma mãe

Enriquece o que ama
como a virtude
de um anjo

Aquece os corações
como a chama
do sol

Emudece as vozes
como a surpresa
de um prêmio

Enternece o que clama
como a lágrima
de um sorriso

Alivia tudo ao seu redor
como a palavra
de um sábio

Beneficia tudo o que alcança
como a esperança
de uma criança

Anorkinda

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A Fênix e a vida


A Fênix e a vida

Ouviu-se um canto fúnebre,
lindo, melodioso, era aviso.
A Fênix compõe sua canção
em tons de admirável improviso.

Em seu ninho de morte,
sagrado, transcendente...
A Fênix exala seu perfume,
fragrância que aos céus rescende.

Inflama-se, pássaro coragem,
imolado, mavioso, é modelo.
A Fênix renasce como filha
de si mesmo em notável zelo

A vida em recomeço surpreendente...

Anorkinda

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Morte além morte



MORTE ALÉM MORTE

Crio um sopro divino e espalho pelo ar
a luz de meu corpo transcendental
Portais eu mesma abro de par em par
como ventanas no espaço sideral

Sou alma eterna experimentando a dor
vou relembrando meu Ser Superior
Respostas me apanham em meditações
comprova-se o fim das punições

Sou única em total mistura
às emanações da natureza
sempre em renovação pura

Crio um falso fim
a esta vida beleza
morte além da morte, enfim

Anorkinda

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sábado, 12 de outubro de 2013

Semente de algodão



Semente de algodão

Meu pensamento
é como semente
de algodão...

Que lanço numa inspiração

Para que ele ganhe a imensidão...

E quem sabe
ele brote
novo e vistoso
em algum coração...

Anorkinda

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Meu dengo


Meu dengo

Sorri demais quando te vi por aqui
encheu-me de paz, te sentir assim
apegadinho em mim, também a sorrir

Verti versos demais quando te conheci
inundou-me de amor, te ter assim
enroscadinho em mim, também a verter

Pedi mais horas ao dia e caí
na tentação de dizer sim
aos pedidos do coração

Vivi dias mais brandos e saí
da solidão de mim
você é a vívida petição

atendida assim, em dengo sem fim

Anorkinda

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Ah o amor...


Ah o amor...

Não se sabe onde o amor nasce
pois por ser energia divina
ele flui na eternidade
sem fim ou começo

Não se sabe de onde o amor vem
pois por ser emanação divina
ele é fundamento do Ser
não vai nem vem, ele É

Mas se sabe porque o amor dói
pois por ser criação divina
ele pulsa no centro
sensível de nós

Mas não se sabe que o amor tem
sua própria vontade divina
ele é Senhor de Si
pobres de nós...

Anorkinda


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Mergulho da Deusa Lua


Mergulho da Deusa Lua

Em águas banhadas pela lua, submergi
Envolta por elas muito aprendi
Das lições do amor desaguado
Nas friezas da solidão gelada

Em noite de lua cheia, emergi
Revestida de encantamento, sorri
Bálsamo em mim foi jorrado
Fé no amor enfim recuperada

Sinto a força da vida
Convertida em deusa esqueci
Da lágrima sofrida

Ergo uma prece ao firmamento
Invoco os poderes que adquiri
De divindade em renascimento

Anorkinda 

Presença lilás


Presença lilás

Embevecida pelo claro reflexo
n'água mostrado, perplexo
Entorpeci-me de mim, convexo

Ensandecida num claro delírio
n'alma apaziguado, colírio
Embriaguei-me em mim, martírio

Entretida assim em puro enleio
Não vi tua chegada, esteio
Ignorei-te a cor e o vivo anseio

Enfurecida sem o lilás, suplício
Hoje choro o vazio, desperdício
Abdiquei-te, amor, por puro vício

Anorkinda

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Planeta água


Planeta água

Envolvida nas águas
planetárias
abrangência de vida

Absorvi as essências
purificadas
manifestadas em vidas

Em minhas águas
libertárias
presença sobrevivida

Devolvo a fluência
das palavras
ceifadas ainda vívidas

Redimida às águas
benditas
sou pétala de vida!

Anorkinda

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Em seu peito


Em seu peito 

Sua oração serena
Em seu peito moreno
Um ardor de urtiga

Sua intuição morena
Em seu peito sereno
Uma dor antiga

Seu coração sereno
Em seu peito moreno
Um palpitar de estrela

Seu pulmão moreno
Em seu peito sereno
Um aspirar em tê-la

Anorkinda


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domingo, 6 de outubro de 2013

Querido Veadinho


Querido veadinho

Diga-me, amiguinho da floresta
O que é que me espera?
Faça-me companhia hoje
Porque meu dia será de guerra

Passa-me tua quietude
e teus olhos ternos
Para que minhas batalhas
Tenham resultados eternos

Ensina-me o dom da atenção
Para que eu mesma me proteja
Nesta vida fora de minha casa
Vida esta semeada de pelejas

Fica comigo nesta noite fria
Empresta-me teu pelo
Teu calor animal que dá força
Contra o mal e me permite combatê-lo

Anorkinda

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Perdi


Perdi

Consideradas derrotas, vivi
pois teimei e não compreendi
a vitória sobre os demais

O maior mal eu fiz,
pois, infeliz,
amei demais

Amei aos Homens,
meus semelhantes

e ao mundo, não consegui
dizer que venci

Anorkinda

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Faces espelhadas


Faces espelhadas

São meus sentidos que me enganam
Parece que percebo alguém que sou eu

Mas meu reflexo espelhado diz
que a verdade transparece pelos poros

Em minha face não me vejo
pois o que levo dentro não transmito

De mim mesma me omito
meus sentidos me enganam
minha visão é embaçada, miopia sem fim

Meu tato nem chega perto de sentir
aquilo que verdadeiramente eu sou
pois não estou terminada

Sou obra inacabada de mim mesma
e nem mil espelhos reproduziriam
a luz fragmentada que rebate em mim

e engana cada um dos meus sentidos

Anorkinda

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Vontade...


Vontade...

Vontade de escrever um poema de amor
mas amor de quem resplandece por inteiro
amor do enlevo que faz flutuar com o cheiro
que ficar no ar, perfumando até o sabor

Vontade de viver um amor de poema
mas poema deslumbrante de vida nova
poema testemunho do amor que se prova
que delicia no olhar, de ler sem esquema

Quero amor leve e de letras móveis
um amor desatinado de surpresa
sem fôlego para paixões solúveis

Quero amor sem razão e cobrança
o amor que põe na mesa
as incoerências desta contradança

Anorkinda

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Águas mansas



ÁGUAS MANSAS

Pareço um lago de águas mansas
O que só eu conheço
são minhas profundezas
repletas pelo meu apreço

Submeti ao fundo deste aparente
lago, o que eu amo:
o bom-humor irreverente
e a animação sem dano

Isso faz de minhas águas mansas
um espelho refletor:
quem a mim alcança
vê a si próprio em esplendor!

Anorkinda

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Ruborizando rimas



Ruborizando rimas

O poema defasado
não esquece do passado
E teima silabado

Rimas ricas e esnobes
Riem amarelo aos pobres
E julgam-se nobres

Escondo meu teclado
No virtual livro digitado
E provoco o inusitado

Simulo um soneto
Em verso discreto
E chamo um dueto

Assopro as rimas
Com bobas pantomimas
E maculo as obras-primas

O poema cansado
com o olho arregalado
E em transe assustado

Vê a rima desmaiada
Em face ruborizada
E de todo, desacreditada

Anorkinda

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Às vezes devaneio


Às vezes devaneio

Às vezes avisto
um piscar
uma luz intermitente
é a sorte a sorrir
em céu azul-escuro

Às vezes insisto
por prazer
por satisfazer o impulso
de devanear e sorrir
em noite de delírio puro

Às vezes dá nisto
de sonhar
de profetizar o improvável
dos homens sem sorrisos
nem coragem de descer do muro

Às vezes é preciso
um piscar
uma luz insistente
para arrancar sorrisos
da boca sisuda do obscuro

Anorkinda

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Dias de chuva


DIAS DE CHUVA

No dia de chuva
Há uma luz diferente.
é um dia sombrio
Pois o sol não está presente.

No dia de chuva
Há um cheiro diferente.
É um dia úmido
Pois o calor está ausente.

No dia de chuva
Há um ânimo diferente.
É um dia calmo
Pois a paz está na gente.

Anorkinda

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Solta sereia


(jade_moon_mermaid_greeting_card_by_molly_harrison)

Solta sereia

Volta e meia, eu esqueço
daquela pedra de tropeço
e lá vou eu! Escorregadia
e perigosa é esta travessia...

Mas, coragem! Eu me aprumo
e não tiro os olhos do rumo.

Solta sereia, eu abasteço
a vida desde seu começo
e não perco a partida.
Me chamam de atrevida...

Mas, bobagem! Eu assumo:
recebo sinais quando durmo.

Anorkinda

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Kbytes de amor


Kybites de amor

Era para navegar,
mas, meu amor,
eu vou mesmo
é mergulhar
de cabeça
neste mar
de kybites.
Vou esmiuçar
todos os sites
pra te encontrar.

Era para responder
algumas enquetes,
mas, meu amor,
eu vou ler
poesias
até demais.
Vou subverter
todas as ordens
pra você me perceber.

Era para comentar
mas, meu amor, 
eu vou mesmo
é rodopiar
pelo ar.
Vou valsar
pelos salões,
espaços virtuais
de meu castelo de amar.

Era para escrever
alguns e-mails, 
mas, meu amor,
eu vou deter
enxurradas
e downloads.
Vou te submeter
a todos meus uploads!

Anorkinda

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Depois que eu me encontrar



Depois que eu me encontrar


Pelas paisagens que me inspiram
Respiro a procura por mim mesma
E depois que eu me encontrar
Mandarei notícias minhas

Aos amigos que me conspiram
A favor de uma vida repleta
De alegria e felicidade

Nestas linhas e versos
já deixo-lhes o aviso
de que o caminho
já é plenitude

E quando eu voltar
do canto dos pássaros
vou trazer os timbres

Nas águas dos rios
vou novamente nascer
e em sorrisos e canções
vou eternamente viver

Anorkinda

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Eu vou pra Pasárgada



Eu vou pra Pasárgada

Eu vou pra Pasárgada
lá sou amiga do Rei Ciro ll
Lá passeio pelos jardins quádruplos
perfumo-me nas mais belas flores do mundo

Eu vou pra Pasárgada
lá sou amiga da beleza infinita
Lá floreio versos e rimas ricas
banho-me na inspiração mais bonita

Eu vou pra Pasárgada
lá sou amiga da fantasia
Lá semeio a igualdade das gentes
deleito-me com as mais agradáveis companhias

Eu vou pra Pasárgada
lá sou amiga de todo o mundo
De lá presenteio em nome da Rainha
e faço-me emissária dos respeitos de Ciro ll

Anorkinda

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Nativo encantamento


NATIVO ENCANTAMENTO

Ah...o indígena que encanta as estrelas
que olha além do infinito
vê a profundidade da beleza
e decifra os códigos da escuridão

quisera eu ter centelhas
de um sangue bonito
nativo e integrado a natureza
e calar assim meu coração

ah...coração que ouve estrelas
que sussurra bendito
palavras de imensa tristeza
e propõe ao céu uma solução...

pudera eu criar parelhas
de verso bonito
ritmado e cheio da certeza
de alcançar minha devoção!

Anorkinda

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Oração



ORAÇÃO

Seres do céu
Que olhas a Terra,
Percebes o véu
Que nossa vista encerra.

Seres do amor
Que ajudas o Homem,
Percebes a dor
Que a nós todos consome.

Enviem do céu
A paz para a Terra,
Retirem o véu
Que nossa vista encerra.

Enviem amor
Ao coração do Homem,
Retirem a dor
Que a nós todos consome.

Anorkinda

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Nonsense



NONSENSE

Não tem sentido
retirar do fundo da terra
o motivo da lágrima
o sal, húmus do solo

Que intenso motivo
teria o humano que berra
para perverter
o nonsense da rima?

Não quero o absurdo
do choro que encerra
motivo perverso
neste teatro tolo

Que sofrida rima
sem motivo aparente
procuro trazer
sem noção nem obra-prima?

Anorkinda

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No caldeirão da bruxa tem...


NO CALDEIRÃO DA BRUXA TEM...

Três asas de mosquito
Uma porção de vento
E um dente de vampiro
frustrado

No caldeirão a bruxa ainda coloca...
Água do joelho da cobra
Pó de arroz doce
Meio leitão assado

E depois de um 'PUM' verde
A bruxa oferece
a escaldante poção
Aos desavisados

Que não souberam sorrir para a sorte!

Anorkinda


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Violinos de luz


Violinos de luz

Ouvi aquela melodia suave e marcante
Seguir a direção do som era impossível

Vinha de todo o espaço ao meu redor
E dentro de mim... a canção dos violinos

Para melhor sentir, fechei os olhos
Entrei no universo de notas musicais

Elas dançavam por todo lado
Coloridas pelo toque do artista

Concentrada naquele devaneio
Pude ver quem tocava:

Eram anjos e os violinos eram de luz!

Anorkinda

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Eu, água


Eu, água

O luar me oferta pérolas-luz
quando o brilho-pingo-d'água
me adorna o límpido viver

O curso do rio, trilho de luz
me forma, ser-sereia-d'água
num livre transcorrer

A pedra do percurso reluz
lapidada em diamante-d'água
num profundo merecer

A vida intensa me seduz
quando o doce leito-d'água
me conforma em mavioso-ser

Anorkinda

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Borbulha de rio



BORBULHA DE RIO

Tua imagem condensa-me as manias
Teu reflexo é como esta água fria
Parece tocável, mas é fugidia...

Tua distância apronta-me desvarios
Meu pulsar é como o movimento
Deste toque no firmamento...

Tua ausência desvia-me os pensamentos
Meu anestésico sentimento
Seria teu toque-agradecimento

Tua existência provoca-me arrepios
Teu amor sempre arredio
Parece real, mas é borbulha de rio...

Anorkinda

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Horinha feliz


Horinha feliz

Às vezes a maresia
sussurra inverdades,
brincadeiras de Tritão...

Nessas horas eu sorrio
e libero as infelicidades...

Elas brincam nas marolas,
ganhando novos tons
na licenciosidade.

E eu, com minhas demoras,
minimizo seus frissons.

Anorkinda


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Sutilmente


Sutilmente

Teu leve pisar
assemelha-se
a um sussurro
de querubim

Teu sutil arfar
me faz lembrar
de um colibri
a voar

Teu suave ser
arrebata-me
a transcender

Teu manso amor
me faz depor
 os medos

Anorkinda

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Eu, Sereia


Eu, Sereia

Meio ser peixe
parte água doce
sereia de rio
líquidos amores

Meio ser mulher
parte terra firme
esteio de vida
sólidos temores

Me jogo a nadar
parte fluida de rio
absorvo o doce
das águas amores

Me prendo a sonhar
parte sólida da vida
ancoro no firme
porto dos temores

Anorkinda

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Eu, espelho


Eu, espelho

Espelho em meu reflexo
os cortes do caminho
espinhentas trilhas
ferimentos daninhos

Espelho em meu sexo
as fêmeas intenções
humores excêntricos
fissuras e incisões

Espelho em minha viagem
os vermelhos-sangue
líquidos desagues
vertentes exangues

Espelho em minha imagem
as mágoas do percurso
ardilosas veredas
rios fora dos cursos

No fundo, me espelho em mim...

Anorkinda

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Oração Poética


(GRACIELA BELLO)

Oração poética

Que a esperança
continue a deslizar...
Suavemente poesia.

Que a alegria
acompanhe a segurar-se
firmemente durante a dança...
Equilíbrios de criança.

Que a inocência
continue a piscar...
Brilhantemente poesia.

Que a fantasia
acompanhe a recriar-se
constantemente em fluência...
Corajosa assistência.

Anorkinda


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A poesia em sua vida


A POESIA EM SUA VIDA

Pode não perceberes
mas a poesia está
em sua vida

De maneira vívida
a poesia encanta
no raio de sol

Ou no brilho do luar
a poesia dança
no vento

Pode não conheceres
a métrica poética
eu também não

Mas de forma atrevida
a poesia adentra
o ritmo da chuva

Ou a cadência do peito
apaixonado, poética
de todo amor

Pode não admitires
mas a poesia já
te encantou

De maneira positiva
quando, poesia
em flor, tu chorou

Ou sorriu à criança
perfeito poema
inocente de Deus

Anorkinda

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Ao explicar-me


AO EXPLICAR-ME

A rotina dos meus devaneios...
O dia-a-dia dos meus anseios
transparecem em poesia
que de mim brota, sadia

A fantasia em que adormeço...
O vigor novo em que amanheço
esclarecem meu dom
sem medida ou tom

A materialidade me aniquilaria
num mundo caótico sem harmonia
Sem o devaneio e a fantasia
meus dias cairiam em agonia

A espiritualidade se comprova
num mundo que sempre se renova
A rotina de amanhecer nova
todo dia, me põe sempre à prova

Muito já bati em mesma tecla
e em racionalidade que disseca
a realidade íntima bateu mais forte
e me rendi a minha própria sorte:

De ser poetisa e revolucionária
Sem armas ou brados, libertária!
Mostrando em exemplo vivo
a felicidade de não estar-se cativo!

Anorkinda

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Ao explicar-me ll (Duas em uma)




AO EXPLICAR-ME ll (DUAS EM UMA)

Na vivência de não ser cativa
das razões nem das soluções
fáceis ou mesquinhas

Abri a consciência em ativa
tendência a não ter preconceitos
nem ideias amarradas

E meu lado místico desabrochou
na rosa das emoções
férteis e intuitivas

Aceitei o que se mostrou
pungente em perfeitos
sinais abençoados

E na cadência das experiências
internas e demonstrações
da grandeza da infância

Segui acarinhando a criança
minha em satisfeitos
folguedos e espontaneidade

Assi, meu versejar dança
em pueris evoluções
no ritmo do prazer de viver!

Anorkinda

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Necrológios


Necrológios

Junto-me ao poeta
de minha terra
em Quintanares

A maldizer
dos relógios
abjetos necrológios

Junto-me à natureza
e sua grande beleza
em terras e mares

A desprezar
o ponteiro das horas
marcador de demoras

Junto-me aos anjos
e todos arcanjos
em louvores

A marcar
meus passos
no compasso

contínuo das esferas!

Anorkinda


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(Dis)sonante


(DIS)SONANTE

O verso quando canta o poeta
seduz pela força do olhar
olhar poético dissonante

O verso quando beija o poeta
seduz pelo acre da língua
língua poética sonante

O verso quando toca o poeta
seduz pelo arrepio da pele
pele poética dissonante

O verso quando fala ao poeta
seduz pela força da palavra
palavra poética sonante

Anorkinda

.

domingo, 25 de agosto de 2013

O amor no poema



O AMOR NO POEMA

Livres linhas nos transtornam
os desejos, nos arrebatam
às diversas dimensões

Suaves rimas nos abordam
os solfejos, nos abatem
às ordens das sofreguidões

Raros versos nos transportam
os beijos, nos desatam
os nós das solidões

Voos poéticos nos acordam
os ensejos, nos vertem
os dias em inspirações

Anorkinda

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Das fontes e das flores



Das fontes e flores

As fontes nos falam de nossos amores
sua voz, leve e límpida, sem dúvidas
nos traz a paz em melodias divinas

Nos misturamos aos ramos e flores
somos um nesta brandura, sem rusgas
numa comunhão extasiada e infinita

As íris nossas ajustam suas cores
neste íntimo contato, sem torturas
nos mostram as naturezas mais bonitas

Nos provamos em néctares e sabores
estamos embriagados, sem culpas
numa volúpia deliciosa e repentina

Anorkinda

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Ato de amor e felicidade


Ato de amor e  felicidade

A felicidade que escorre do olho
líquida e transparente, salgada
percorre a face, encontra a língua
tua, que entre dentes, a resgata

Misturam-se as felicidades nossas
nas salivas e lábios, sôfregos
reciprocidade de desejos e beijos
teus, que arrepiam, os poros todos

A felicidade que brilha nos instantes
nossos, transes de grande amor,
trilha as veredas mais estimuladas

Mistura-se em humores nos centros
nossos, de prazeres completos,
sensores sutis, exaltam-na, por fim

Anorkinda


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O serenar da noite


O serenar da noite

O úmido sentido

s equestra palavras
e nquanto é possível
r eina um desconforto
e stremecido e incontido
n oite de emoções escravas
a meaça o coração sensível
r eina o soberano medo, absorto

d egusto o sereno
a roçar os lábios

n ão suporto o vazio
o rnamento do Nada
i nvoco o poder dos sábios
t estemunho um sibilar macio
e sgueira-se a salvação em luar de prata!

Anorkinda

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Brinquedo


BRINQUEDO

B ons divertimentos
R iem comigo
I lusões que crio
N ão altero quase nada
Q uero sempre
U m trocado de emoções
E m resultado
D e simples equações
O nde recrio a matemática

Anorkinda

.


O olhar infantil


O OLHAR INFANTIL

O lhos que se perdem no crescer
L evam a vida à ponta de faca.
H armonia torna-se quimera do passado.
A s cotidianas mediocridades
R eduzem o olhar à pequenezas...

I nfância tão sábia no olhar...
N ão pode ser esquecida!
Faz ela, de nossas mesmices
A lgo tão cinzento e sem nexo.
N ão desprezemos seu fluido
T ão inocente e grandioso!
I nfantis divagações e soluções,
L evemos a sério, sejamos mais leves...

Anorkinda

.

sábado, 24 de agosto de 2013

Jamais desafine!


JAMAIS DESAFINE! 

J unte duas ou mais notas
A quelas que tocam teu coração
M isture a elas palavras doces
A s mais doces que achar
I nteligentes também
S erão temperos especiais

D oe esta mistura aos amigos
E spere que o resultado amanheça
S ossegado, sem pressa
A comode-se a um canto
F inja estar absorto em sonhos
I nicie um dueto com as almas
N uas que dançam sua canção
E eternize assim, sua passagem por aqui!

Anorkinda


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Abra os olhos


ABRA OS OLHOS

A lcance assim uma visão
B acana da vida que recebestes
R ia dos absurdos que te impusestes
A brace árvores, cães e teu irmão

O ntem havia névoas
S obre teu olhar

O s pensamentos sem noção
L oucos e desvairados
H oje recebem atenção
O s temperos dosados
S ubstituem velhos venenos de tradição

Anorkinda

.